Hoje quero me dirigir a vos numa profunda suplica. Eu sei
que só você saberá entender o que eu tenho a te dizer. Então, escute-me com
atenção.
Antes de você nascer eu já
existia. Aliás, eu existo antes da humanidade, caso contrário vocês não teriam
onde se apoiar. Para te receber eu preparei maravilhas imensas. Rios e lagos de
águas cristalinas; montanhas exuberantes e belas; mares e oceanos; campos e
tudo o que mais belo e sagrado poderia existir.
Você chegou e foi me transformando.
Foi tirando minhas matas para dar lugar a plantações e cidades. Foi invadindo
meus rios e lagos. Não respeitou o limite que eu te dei. Você tem inteligência,
muito mais do que eu, mas não sabe usar para construir. Você reclama de tudo o
que vem de mim, mas não soube cuidar para preservar foi você, ser humano. Se eu
invado “seu espaço”, você reclama. Não adiante reclamar! O espaço é meu, você
que invadiu.
Ouço tantos gritos dos animais,
dos rios, dos lagos, das aves,... pedindo socorro para que o bicho humano não
as extermine. Ouço clamores que pedem cuidado para comigo, pois, se não me
cuidarem, logo iriei acabar. Seu eu acabar, você também acaba.
Eu sou o sustento para seus pés,
o sustento para sua ostentação. Sabe quem sou? Não!? Mas, não tem problema, eu
me apresento.
Sou a Terra, muito prazer!